Crônica dos meus 50 anos
As véspera de completar 50 anos, aliás, eu e um monte de pessoas que completarão comigo esse meio século de existência, porque ninguém completa 50 anos sozinho. Não me refiro só àqueles que como eu, nasceram em 68, mas também aqueles(as) que quiseram que eu vivesse e foram muitos, aos milhares. Alguns deles, muito próximos de mim, sangue do meu sangue, outros, ilustres desconhecidos, anônimos, mas, muitíssimos significativos para minha vida. Será que eu estaria vivo se não fosse dona hermenegilda, a parteira que cortou meu cordão umbilical, a enfermeira que me aplicou vacinas? Minha mãezinha querida que me deu infinitas mamadas, antes da sua partida?
E lá se foram 50 primaveras. Ao mesmo tempo em que parece que foi ontem, não foi, afinal, no espaço de 50 anos muitas coisas extraordinárias aconteceram, pois, foi nos últimos 50 anos que o homem foi à lua, criou a fórmula da pílula anticoncepcional - uma revolução no mundo feminino - a queda do Muro de Berlim, prisão e liberdade de Nelson Mandela, a Revolução Cubana, a eleição e reeleição do primeiro operário a presidência da república brasileira, a primeira mulher presidenta do Brasil a morte de Luther King, o atentado às Torres Gêmeas, ... e tantos outros acontecimentos extraordinário do homem neste últimos 50 anos, e até deu tempo de casar-me duas vezes, ter três filhas e um filho lindo, um neto e uma neta.
Como estes anos se passaram rápido! Nessa passagem, ficaram as marcas, marcas de uma vida, de quem viveu 50 anos. Algumas dessas marcas ficaram registradas nas fotografias e na mente. Nas fotografias hoje amareladas pelo tempo ou perdida em alguma maquina analógica que precisava de filme e flash, ficaram lembranças de seres queridos que um dia, em momentos de alegria, dividiram comigo um click fotográfico, alguns deles já partiram para sempre, outros, até hoje, dão-me o prazer de suas companhias.
Quando me olho num espelho, percebo que meus cabelos quase se foram todos, restam poucos fios. Por isso adotei a navalha como parceira aos sábados kkkkk.
Esses meus 50 anos me fazem lembrar de minha Infância pobre, do meu carrinho de patinete, dos tombos que levei, das peraltices de moleque. Lembro da casa de dos meus país em Tiquaruçu, das mangas e jacas que comi, das brincadeiras de bandeirinha e do futebol, na escola. Lembro do meu grupo escolar em São Vicente, da professora Ailza do primário na caatinga e dos amigos de infância. Lembro de tudo aquilo que a mente de um cinqüentão acumulou ao longo desses anos. Sei que já não mais sou tão moço assim, apesar da certeza de que chegarei aos 100, kkkk. (brincadeira) Não me iludo, daqui pra frente, descerei ladeira a baixo, é o ritmo cruel da vida, ou seja, nascer, crescer desenvolver-se, depois vem o fim de um ciclo.
Quando ainda moleque, joguei bola, brinquei de patinete, joguei bandeirinha, tomei banho no tanque da Caatinga e no açude do bom gosto próximo de minha casa, nele peguei até piabas, kkk. Corri, fui à escola, sujei o uniforme escolar, briguei, bati e apanhei, como todo moleque. Se tudo isso não tivesse acontecido, não tinha vivido plenamente e eu vivi.
O tempo passa a, as coisas mudam. As peraltices de menino dão lugar aos sonhos, nem sempre concretizados. Primeiro queria ser jogador de futebol, depois advogado. Nada disso se concretizou, terminei sendo Locutor de rádio, técnico de refrigeração e cinegrafista de Tv. Sonhos desfeitos, construir e concretizei outros e a vida continuou.
Nesses meus cinqüenta anos, vivi plenamente a cada dia, levei a vida sempre numa boa, e parafraseando Chico Buarque e Renato Russo, diria que vivi cada dia como se fosse o último, amei as pessoas como se não houvesse amanhã.
Muito aprendi, acho até que ensinei um pouco. Aprendi que a felicidade não está sempre a um, um passo a mais, é uma busca incessante e que ela não está relacionada com riqueza ou poder ou fama, se assim fosse, só os ricos, os poderosos e famosos eram felizes, esses me parecem, são os menos felizes e que dariam tudo que têm para serem felizes.
Aprendi que o melhor da vida, não é a vida, é vivê-la em plenitude, viver ao lado de pessoas que têm significados em nossas vidas e que nós também somos significantes para elas.
Nessa caminhada, que já dura 50 anos, muitas pessoas fizeram parte de minha vida, muitas delas passaram e não deixaram saudades, na verdade, até hoje não sei o porquê, são páginas viradas. Outras não, sem que soubessem, deixaram suas marcas que me acompanharão por toda minha vida, e se eu completar outros 50 anos, suas lembranças farão bem a minha’lma.
Com 50 anos. Não queria ser um jovem, pois muitos deles não sabem o valor que tem a vida, não amam nem são amados e talvez não vivessem o que vivi. Não queria ser um senhor de 70 anos, muitos deles perderam o trem da vida, viveram melancolicamente suas vidas, muitos vivem no solidão amargurados e tristes. Eu quero mesmo é ser eu, com meus 50 anos bem vividos! Que venha os outros 50, 40, 30, 20,10.... afinal, viver ao lado de pessoas maravilhosas, como você, que ler este escrito é o que dar sentido a minha vida.
Théo!
Salvador 14 de Março de 2018

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