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Crônica: O meu São João

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No Brasil e, principalmente, no Nordeste, o São João é conhecido como uma das maiores festas populares do calendário nacional, mas para mim é uma festa afetiva. Nasci e cresci em Tiquaruçu em Feira de Santana, e, enquanto muitas crianças esperavam pelos chocolates na Páscoa ou pelos presentes no Natal, eu queria o São João, suas bandeirolas coloridas, a fogueira acesa em frente à casa, os balões de mentirinha pendurados no quintal, o amendoim cozido, a canjica, o bolo de aipim, o milho assado e o brilho das chuvinhas de prata, tudo embalado pelas lindas canções de Gonzagão. Naquela época na roça a festa ainda era bonita. As varandas eram todas enfeitadas, a canjica era feita com o milho colhido daquelas terras e tinha ainda o bolo de laranja de minha tia Julia de zé veneno, que nunca conheci ninguém que fizesse melhor. E a véspera de São João era embalada pelos velhos discos de vinil de Domingos da Caatinga, ou de Der de Ricardo no Socorro, que todos os anos eram sempre os mesmos:...