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Mostrando postagens de abril, 2018

Crônica dos meus 50 anos

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As véspera de completar  50 anos, aliás, eu e um monte de pessoas que completarão comigo esse meio século de existência, porque ninguém completa 50 anos sozinho. Não me refiro só àqueles que como eu, nasceram em 68, mas também aqueles(as) que quiseram que eu vivesse e foram muitos, aos milhares.  Alguns deles, muito próximos de mim, sangue do meu sangue, outros, ilustres desconhecidos, anônimos, mas, muitíssimos significativos para minha vida. Será que eu estaria vivo se não fosse dona hermenegilda, a  parteira que cortou meu cordão umbilical, a enfermeira que me aplicou vacinas? Minha mãezinha querida que me deu infinitas mamadas, antes da sua partida?   E  lá se foram 50 primaveras. Ao mesmo tempo em que parece que foi ontem, não foi, afinal, no espaço de 50 anos muitas coisas extraordinárias aconteceram, pois, foi nos últimos 50 anos que o homem foi à lua, criou a fórmula da pílula anticoncepcional - uma revolução no mundo feminino - a queda do Muro...

Saudades da minha mãe

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Hoje eu pensei em você com saudades, não sei se a palavra certa é saudade ou vontade, vontade de lembrar como era o seu rosto, como era a sua fala, como era você, vontade de ter uma única foto que mim fizeste lembrar você,  e meu coração se encheu de tristeza, e fez as lágrimas transbordarem pelos meus olhos.  —   Mas não há nenhuma novidade nisso, porque eu pensei em você ontem, e anteontem, e todos os dias.  —   E apesar do tempo eu não consigo superar a falta de você ou talvez o simples desejo de ter te  conhecido. Penso em você em silêncio e às vezes chego a chamar seu nome, mãe.  —   Pequenas  lembranças continua viva dentro de mim, eternizada em meu coração, menos a tua face.  —  Saudade talvez essa seja a palavra, para o que eu estou sentindo, falta de amor, mais amor de mãe Sabe!  —   O abraço que conforta, as palavras duras que é preciso ouvir, pra mais na frente não quebrar a cara.  —  Eu n...

Crônica: Lembranças de minha avó Mulatinha

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São poucas, mas são boas as lembranças de minha infância. Essas lembranças me transportam para uma deliciosa viagem ao um tempo que não volta. Lembro e muito da minha avó, ela tinha um cheiro peculiar um cheiro próprio, único e marcante que não se confunde com outro cheiro, um cheiro bom. E volta e meia eu sinto esse cheirinho gostoso, mas sem ter ela por perto. Tenho saudades do seu meigo olhar, e que apesar da avançada idade ainda sentia prazer em brincar. Chamava-se Mulatinha: vó Mulatinha! Até esqueci que seu nome era Maria. Acostumei... Minha última lembrança são de seus cabelos branquinhos como flocos de algodão e que brilhavam como raios de luar. Não sei a magia das avós, mas sempre são queridas. Deve ser porque não querem ser mais mães, não querem educar e nem repreender; querem apenas ser amiga dos netos.  Não esqueço de minha avó: era carinhosa e sempre com um sorriso maroto como se tivesse compartilhando travessuras. As avós podem se dar a esse luxo. Dizem que ela...

Crônica: Lembranças de um velho amigo

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Um dia a maioria de nós irá nos separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos...  Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido...  — Quase todos os dias era assim, ele chegava na casa dos meus pais sempre  pela manhã, trazia sempre o suor no rosto o corpo cansado e nada no bolso. (Edson Gomes) mas trazia também sua cartucheira no umbro, (era uma simples espingarda de socar, mas ele a chamava de cartucheira, kkk)   de longe já dava para  ouvir seus passos  arrastando seu chinelo de couro, que ele mesmo dizia   confeccionar,  era passadas inconfundíveis, estava sempre cansado devido a longa caminhada de sua casa ate a nossa, mas o sorriso e as brincadeiras  que era sua marca registrada, sempre chegava primeiro, e nem de ...

Crônica: Ailton sapateiro e a rua do socorro

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ALGUÉM AQUI LEMBRA DE SEU AÍLTON SAPATEIRO DO POVOADO DO SOCORRO EM TIQUARUÇU?   – Oi, de casa! – gritávamos pela janela que dava para a rua. – Instante só – vinha uma voz de quem parecia tirar um cochilo em outro canto da casa. Estávamos de frente para a casa e ao mesmo tempo oficina de seu Aílton, sapateiro que há décadas se instalou na rua principal do povoado do SOCORRO, em Tiquaruçu, sua casa, continuava com o mesmo aspecto tosco de antigamente. A única que não recebia nenhum tipo de pintura ou reforma no meio das casas do lugar. Mas também um local onde funcionava o atelier de um grande artista. Sapato todo esfolado, sem sola, com costura arrebentada? Seu Aílton tinha a solução. Bolsa de couro rasgada, sem presilha? Lá estava ele dizendo que dava um jeito. Quantas vezes vi seu Aílton resolvendo o que parecia ser impossível. Os sapatos chegavam em frangalhos e, dois dias depois, pareciam novos. Era trabalho feito com detalhe e precisão. E também alívio para clientes qu...