Crônica: Sai sem olhar pra ela
Parei em frente ao forró, num barraco de um amigos, tomei quatro jins com dois refrigerantes pequenos, depois vi uma mulher me olhando e fazendo aceno com um traje sem confiança o dedo sem aliança ao lado de uma criança de dez anos mais ou menos quase conheço a mulher porém achei diferente admirei o menino bonito mas descontente sujo, descalço e maltrapilho comendo um "cachorro quente”, parecido com quem nasce das fibras da minha face embora eu nunca pensasse que fosse nem meu parente, quando eu mudei a vista o menino sofredor obedecendo a mãe dele fez papel de portador, chegou onde eu estava dizendo assim: "por favor" meio acanhado até ainda disse: "seu Zé, aquela mulher em pé mandou chamar o senhor." acompanhei o menino rendendo aos dois saudação dei boa noite a mulher depois apertei-lhe a mão perguntei, quem é você? Ela respondeu: Pôs não! Eu sou aquela infeliz que você fez meretriz depois que fez o quis me abandonou sem razão, mamãe morreu faz seis anos tenho pai mais não me quer, vivo no mundo jogada sou uma pobre mulher, peço muito, me dão pouco, agradeço a quem me der sou uma mulher perdida sem conforto e sem guarida assim vou levando a vida até quando Deus quiser," por fim me disse chorando: "Tem dia que nem almoço padeço que lhe conto trabalho que nem me coço casar com outro eu não quero voltar pra você não posso," nesse momento ferino eu temendo a Deus divino perguntei, e esse menino? Ela respondeu: "É nosso! Esse menino é o márter da nossa podre união tão pobre que tem dez anos e ainda hoje é pagão tem noite que falta rede, tem dia que falta o pão, você que é pai acuda, dê pra escola uma ajuda, que esse pobre não estuda porque não tem condição." Dei o dinheiro ao menino contemplando a feição bel ele recebeu chorando, meu coração quase gela, tanto tive pena dele como tive pena dela, ela saiu bem tristonha numa revolta medonha e eu calçado de vergonha saí sem olhar pra ela.
